![]() |
| Pedro Pereira durante a apresentação do livro "O Gato Raspa na Biblioteca Municipal |
"O grupo “Janela Aberta” surgiu da necessidade dos jovens daquele tempo sentirem a necessidade de agitar um pouco a vida da freguesia."
"Guetim Sempre" (doravante GS) - Para além da escrita desenvolve a sua atividade profissional como assistente técnico na Junta de Freguesia de Guetim. Quais são, na sua opinião, as principais carências de Guetim?
Como todos sabemos, Guetim tem uma grande percentagem de população acima dos 65 anos. Por isso mesmo creio que a necessidade imediata seria a construção de um Centro de Dia que pudesse ocupar e enriquecer os nossos idosos. A construção do Edifício-Sede da Junta é também importante mas, creio que o Centro de Dia deverá ser neste momento a grande prioridade.
GS - Sabemos que é um guetinense com um papel ativo, nomeadamente em algumas associações desportivas, tendo sido membro do grupo “Janela Aberta”. O Guetim de ontem era mais ativo e interventivo que o Guetim de hoje?
Creio que não podemos comparar a minha geração com a de hoje. Não estou a dizer que a minha era melhor ou pior, são apenas diferentes. Os jovens de hoje têm à sua disposição um conjunto de meios que facilitam as relações entre si. No meu tempo, por exemplo, quase ninguém tinha computadores e as deslocações não eram tão fáceis como hoje, já que poucos possuíam carro próprio. Tínhamos de encontrar algo em que ocupar o nosso tempo e as associações desportivas e culturais eram uma forma de sociabilidade muito importante para nós.
GS - Quais são, na sua opinião, as medidas que deveriam ser tomadas no sentido de voltar a dar à comunidade guetinense o dinamismo de outrora?
Creio que o dinamismo só pode ser conseguido se as pessoas estiverem interessadas em participarem em projetos. O exemplo do grupo “Janela Aberta” surgiu da necessidade dos jovens daquele tempo sentirem a necessidade de agitar um pouco a vida da freguesia. Os tempos são outros. Como referi anteriormente, a juventude de hoje tem um conjunto de meios que nós não tínhamos o que, em última análise, poderá levar a que esta geração seja mais virada para si e menos para a comunidade com todos os prós e contras que isso acarreta.
GS – Qual o retrato atual que faz do concelho de Espinho em termos culturais? O que poderia ser feito no sentido de dinamizar o concelho e poder aproximá-lo dos concelhos limítrofes?
Espinho tem atividades interessantes do ponto de vista cultural. O festival de cinema de animação (Cinanima), a Academia de Música, e o Grupo Cultural Nascente são três excelentes exemplos da atividade cultural que tem vindo a ser desenvolvida em Espinho. Creio, contudo, que deveriam existir atividades que congregassem todo o concelho e não só a cidade. O concelho é muito mais que Espinho. A memória coletiva das nossas gentes deve ser preservada e nesse sentido pouco tem sido feito, outra forte aposta que poderia ser feita era a construção de roteiros que explicassem história das freguesias. Espinho tem um património natural riquíssimo, pois é um dos poucos concelhos do país que alia a vida calma do campo e a agitação citadina.
"Esta anexação parece-me de todo desnecessária e pouco produtiva em termos práticos."
GS - Como todos sabemos, o mundo mudou. As redes sociais, as facilidades de comunicação e deslocação de hoje em dia colocaram os jovens mais virados para si mesmos e menos para a comunidade?
Os jovens de hoje certamente comunicam mais que os da minha geração, já que têm ferramentas como as redes sociais, contudo mantêm-se algo isolados, o que não quer dizer que não possam ser tão ou mais dinâmicos que as gerações precedentes, desde que estejam motivados. Esta é a geração melhor preparada dos últimos anos e, num mundo global, os interesses também se tornam globais por isso mesmo, hoje em dia, os jovens talvez tenham outros horizontes e interesses mais dispersos e variados.
GS - Como avalia, enquanto colaborador da Junta de Freguesia de Anta e Guetim, a Reforma Administrativa que levou à união de algumas freguesias?
As populações deviam ser ouvidas em todo o processo. Não só deviam ser ouvidas como respeitadas na sua vontade. Esta anexação parece-me de todo desnecessária e pouco produtiva em termos práticos. Tudo foi pensado demasiado rápido e de forma pouco sensível para com o sentir das populações.
GS - Sente que, à falta de um Presidente da Junta a tempo inteiro, por vezes o Pedro tem de suprir o seu lugar?
Em Guetim sou, durante a maior parte do dia, a face visível da Junta, por isso mesmo é natural que as pessoas recorram à minha ajuda para tentar resolver os seus problemas. Tento sempre corresponder com o melhor que sei. Com esta união o Presidente não pode estar simultaneamente nas duas freguesias e é perfeitamente natural que ocupe a maior parte do seu tempo com a freguesia maior. Resta-me tentar fazer o meu trabalho da melhor forma que sei.
(O "Guetim Sempre) "É um projeto interessante no sentido de preservar a memória de uma freguesia e de um povo. "
GS - Qual a sua opinião acerca do projeto “Guetim Sempre”?
É um projeto interessante no sentido de preservar a memória de uma freguesia e de um povo. Apoiarei sempre projetos como este porque creio que é demasiado importante o trabalho de conjugar o estudo do passado com a realidade presente. Tenho gostado muito dos trabalhos que têm sido colocados no blogue. É sem sombra de dúvidas um trabalho bastante meritório.
GS - Para terminar, que mensagem gostaria de deixar a todos os leitores do blogue e, naturalmente, a todos os guetinenses?
Aos guetinenses apenas peço para não deixarem a freguesia morrer. É necessário preservar a nossa memória e identidade, já que são o património mais rico que possuímos. Aos meus leitores não posso deixar de agradecer todo o carinho e simpatia que têm para comigo, incentivando-me sempre a continuar.
FIM

Sem comentários:
Enviar um comentário