quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Pedro Pereira em entrevista ao "Guetim Sempre" (parte 1/2)

Capa do livro "O Gato Raspa" 


O "Guetim Sempre" esteve à conversa com António Pedro Pereira, autor do livro infantil "O Gato Raspa" e, simultaneamente, Assistente Técnico na Junta de Freguesia de Anta-Guetim tendo a seu cargo a gestão da parte administrativa de Guetim. Numa entrevista a ser publicada em duas partes, Pedro Pereira fala-nos do seu último livro, do gosto pela escrita e pela poesia e, claro, da sua freguesia, Guetim. Apesar de actualmente viver em São Félix da Marinha foi na nossa freguesia que nasceu e cresceu e, é também na nossa freguesia, que desenvolve a sua atividade profissional. 












Parte I - "O Gato Raspa"

"Guetim Sempre" (doravante GS) - Porquê escrever para crianças?

Sempre gostei de crianças e de escrever. Também sempre gostei de desafios. O desafio para escrever o “Gato Raspa” surgiu de um concurso de literatura infantil ao qual concorri. Foi nesse contexto que surgiu o livro. 


GS – Como surgiu a ideia de um livro com tendo como personagem principal o “gato raspa”?

Na minha infância, em casa dos meus pais, sempre convivi com um gato e um cão. Estes animais, que à partida podem parecer antagónicos e incompatíveis, sempre tiveram uma relação de imensa cordialidade. Confesso que raramente vi um cão e um gato darem-se tão bem. É precisamente dessa relação que surge a ideia de colocar em confronto dois animais tão diferentes que, à partida, têm tudo para se darem mal um com o outro mas, ainda assim, a amizade entre eles poderá ser sempre possível. Existe também a personagem do pombo que cria uma amizade com o “Gato Raspa”. No fundo é a tentativa de criar relações de amizade com animais que à partida todos vemos como antagónicos. 


GS - A primeira frase do conto é “Esta história aconteceu na minha aldeia”. Inspirou-se realmente na “sua aldeia” para produzir a história/estória

Sim, não escondo que a minha terra foi uma inspiração, especialmente os momentos da minha infância passados em casa dos meus pais. Quis remeter o conto para um ambiente mais rural e não tão citadino.


"Muito do processo criativo foi construído recorrendo sobretudo às minhas memórias de infância tentando transpor as mesmas para o conto."


GS - Quais as principais referências literárias para a construção do conto?

Não posso dizer que tenha ídolos ou autores que idolatre cegamente, contudo não escondo que os contos para crianças de Sophia de Mello Breyner serviram, não só de inspiração, mas também de incentivo para a construção desta estória.


GS - Como decorreu o processo criativo?

Dado que tenho uma vida ocupada, tive de aproveitar todos os tempos vagos para escrever. Não tive qualquer rotina de escrita, a rotina acontecia quando o tempo me permitia. Muito do processo criativo foi construído recorrendo sobretudo às minhas memórias de infância tentando transpor as mesmas para o conto.


GS - Sabemos que também escreve poesia. Como foi passar do registo poético para o conto infantil?

Não senti dificuldade em mudar de registo. Na poesia escrevo sobre temas de cariz existencial. Como é natural, não ia escrever um conto infantil sobre os mesmos temas da minha poesia até porque não seria exequível. Não senti, contudo, dificuldades de maior na mudança de registo. 


"O próximo livro será de poesia..."


GS - A dada altura, no conto, uma das personagens depara-se com a hipotética morte de outra e fica a pensar “no que ficou por dizer”. Esta é a lição que podemos tirar do conto? Nunca deixar nada por dizer às pessoas de quem gostamos? 

Sem dúvida que essa é uma das lições. Outra lição que, na minha opinião, o conto transmite, é o respeito pela diferença. Animais tão diferentes e à partida incompatíveis como o gato, o cão e o pombo constroem ao longo da estória uma amizade. Creio que a tolerância e o respeito pelo outro, apesar das diferenças que todos possuímos, são essenciais para a construção de um mundo melhor. 


GS - O gosto pela escrita, de onde vem?

Sempre gostei de escrever. No liceu escrevia algumas coisas sem no entanto ser algo que fosse levado muito a sério por mim. Com o grupo de jovens “Janela Aberta” e com a revista que daí surgiu, fui desafiado a escrever alguns poemas e, aí sim, surgiu o gosto pela escrita e pela poesia de uma forma mais premente.


GS - Falemos de referências no campo da poesia e dos contos para crianças. Quais são os autores que o marcaram? 

Como referi anteriormente gosto de ler Sophia de Mello Breyner, não só os contos para crianças mas também a sua poesia. Para além desta autora tenho outros escritores que gosto bastante como Fernando Pessoa, Eugénio de Andrade, Garcia Marquez ou Jorge Amado.


GS - Existem novos projetos literários para breve?

Sim, existem alguns projetos. O próximo livro será de poesia, tenho ainda algumas coisas escritas de literatura infantil mas gosto de dar um passo de cada vez. Tudo a seu tempo.


GS - Onde poderão os interessados adquirir “O Gato Raspa”? 


O livro poderá ser comprado no site da editora que publicou o livro (“Chiado Editora”) ou então nas FNAC’s e em algumas livrarias de norte a sul do país.



Apresentação do "Gato Raspa" no dia da freguesia.
Parte 2/2 a ser publicada dia 04/03/2014. Tema: Guetim.

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