O que são as memórias paroquiais?
As memórias paroquiais são um inquérito mandado realizar pelo Marquês de Pombal em 1758, somente três anos após o terramoto devastador de 1755. O questionário incorpora cerca de 60 questões separadas em três grupos. Estes questionários foram entregues a todos os bispos das dioceses que, posteriormente, os distribuíram pelos respetivos párocos de cada freguesia.
A organização dos inquéritos só foi concluída em pleno século XIX, no ano de 1832. Que diz o inquérito das memórias sobre a freguesia de Guetim? É o que lhe iremos mostrar já nas linhas abaixo.
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| O manuscrito da Memória Paroquial de Guetim (Parte I) |
Parte I - O que se procura saber da terra.
Esta freguesia de Santo Estevão de Guetim está situada em um monte plano com campos e terras lavradias.
1. Em que província fica, a que bispado, comarca, termo e freguesia pertence.
Província da Feira, Bispado do Porto, Comarca da Vila da Feira.
2. Se é d’el-Rei, ou de donatário, e quem o é ao presente.
2 - São terras cuja parte delas perecem ao Conde da Ponte e outras ao senhor Dom Francisco.
3. Quantos vizinhos tem, e o número de pessoas.
Tem esta freguesia trinta e cinco vizinhos. Tem 136 pessoas maiores, doze menores e seis adolescentes.
4. Se está situada em campina, vale, ou monte e que povoações se descobrem dela, e quanto distam.
Não tem povoações e somente se descobre alguma parte do mar e uma freguesia com que é vizinha que dista meio quarto de légua.
5. Se tem termo seu, que lugares, ou aldeias compreende, como se chamam, e quantos vizinhos tem.
Tem esta freguesia quatro lugares. Um chamado Carvalhal que tem cinco vizinhos, do termo da Vila da Feira. Outro chamado de o Rameiro que tem dois vizinhos, outro chamado de Igreja Velha que tem seis vizinhos. Tem outro lugar chamado de Igreja que tem vinte e três moradores ou vizinhos.
6. Se a Paróquia está fora do lugar, ou dentro dele, e quantos lugares, ou aldeias tem a freguesia, e todos pelos seus nomes.
A Paróquia desta freguesia está no meio dela em um lugar mais subido.
7. Qual é o seu orago, quantos altares tem, e de que santos, quantas naves tem; se tem Irmandades, quantas e de que santos.
O orago dela é Santo Estevão e a sua festa costuma fazer-se na primeira semana da festa do nascimento do Menino Deus. Tem esta Igreja três altares. Um do Santíssimo Sacramento, outro da Nossa Senhora da Guia e ainda outro do Santo Lenho da Cruz que é de Irmandade Eclesiástica e de seculares. A sua festa costuma fazer-se aos três de Maio.
8. Se o Pároco é cura, vigário, ou reitor, ou prior, ou abade, e de que apresentação é, e que renda tem.
O Pároco dela é um cura, o qual representa o Reitor de São Félix da Marinha por esta lhe ser anexa e não tem renda. E somente lhe dão os fregueses trinta e seis alqueires de pão pelo São Miguel e ao e o rendeiro da Comenda lhe paga cozer mil reis de Côngrua. O Cura diz as missas pelos fregueses aos Domingos e dias santos depois do decreto de sua santidade.
9. Se tem beneficiados, quantos, e que renda tem, e quem os apresenta.
Não tem beneficiados.
10.Se tem conventos, e de que religiosos, ou religiosas, e quem são os seus padroeiros.
Nada que dizer neste interrogatório.
11.Se tem hospital, quem o administra e que renda tem.
Nada que dizer.
12. Se tem casa de Misericórdia, e qual foi a sua origem, e que renda tem; e o que houver de notável em qualquer destas coisas.
Nada.
13. Se tem algumas ermidas, e de que santos, e se estão dentro ou fora do lugar, e a quem pertencem.
Nada.
14. Se acode a elas romagem, sempre, ou em alguns dias do ano, e quais são estes.
Nada.
15. Quais são os frutos da terra que os moradores recolhem com maior abundância.
Os frutos da freguesia em que há mais abundância são milho e centeio.
16. Se tem juiz ordinário, etc., câmara, ou se está sujeita ao governo das justiças de outra terra, e qual é esta.
Não tem Juiz de Comarca estando os seus moradores sujeitos ao termo de Gaia, sendo que os cinco moradores do Carvalhal estão sujeitos ao Juiz de fora da Vila da Feira.
17. Se é couto, cabeça de concelho, honra ou beetria.
Nada neste interrogatório.
18. Se há memória de que florescessem, ou dela saíssem, alguns homens insignes por virtudes, letras ou armas.
Nada.
19. Se tem feira, e em que dias, e quanto dura, se é franca ou cativa.
Não tem feiras.
20. Se tem correio, e em que dias da semana chega, e parte; e, se o não tem, de que correio se serve, e quanto dista a terra aonde ele chega.
Não tem correio e só se usa o correio do Porto que dista duas léguas.
21. Quanto dista da cidade capital do bispado, e quanto de Lisboa, capital do Reino.
É da cidade capital do Bispado de Lisboa que dista cinquenta léguas e se costuma chegar em oito dias.
22. Se tem algum privilégio, antiguidades, ou outras coisas dignas de memória.
Não tem privilégios nem coisas dignas de memória.
23. Se há na terra, ou perto dela alguma fonte, ou lagoa célebre, e se as suas águas tem alguma especial virtude.
Não há fontes de consideração somente umas fontes para beber e com quantas vezes secam pelo Verão.
24. Se for porto de mar, descreva-se o sitio que tem por arte ou por natureza, as embarcações que o frequentam e que pode admitir.
Nada neste interrogatório.
25. Se a terra for murada, diga-se a qualidade dos seus muros; se for praça de armas, descreva-se a sua fortificação. Se há nela, ou no seu distrito algum castelo, ou torre antiga, e em que estado se acha ao presente.
Não há muralhas nem praça de armas.
26. Se padeceu alguma ruína no terramoto de 1755, e em quê, e se está reparada.
Não se padeceu ruína alguma do terramoto de mil e setecentos e cinquenta e cinco pela vontade de Deus.
Parte II - O que se procura saber da serra
1. Como se chama.
Não há nesta freguesia.
2. Quantas léguas tem de comprimento e quantas tem de largura, aonde principia e acaba.
Nada.
3. Os nomes dos principais braços dela.
Nada.
4. Que rios nascem dentro do seu sítio, e algumas propriedades mais notáveis deles; as partes para onde correm e onde fenecem.
Nesta freguesia há um rio chamado Rio do Corgo, pequeno que nasce de uma fonte junto à estrada de Coimbra e Lisboa a qual fica dentro do convento dos Padres de Santa Cruz de Coimbra. Nasce do oriente e corre para o poente. De Inverno leva água de que faz moer algum milho e de verão seca quase de todo.
5. Que vilas e lugares estão assim na Serra, como ao longo dela.
Não há vilas.
6. Se há no seu distrito algumas fontes de propriedades raras.
Não há fontes de propriedades raras.
7. Se há na Serra minas de metais, ou canteiras de pedras, ou de outros materiais de estimação.
Nada.
8. De que plantas ou ervas medicinais é a serra povoada, e se se cultiva em algumas partes, e de que géneros de frutos é mais abundante.
Nada.
9. Se há na Serra alguns mosteiros, igrejas de romagem, ou imagens milagrosas.
Nada.
10. A qualidade do seu temperamento.
Nada.
11. Se há nela criações de gados, ou de outros animais ou caça.
Nada.
12. Se tem alguma lagoa ou fojos notáveis.
Nada.
Parte III - O que se procura saber do rio
1. Como se chama assim, o rio, como o sitio onde nasce.
Não há lagoas.
13 - Do que se procura saber de rios não tendo que dizer nem que relatar porque não há rios nem coisa alguma nesta freguesia - desde o primeiro interrogatório até ao décimo terceiro.
António Ferreira da Cruz, Cura encomendado.
Nota acerca da transcrição: Esta transcrição foi transporta para o português atual de forma a possibilitar uma leitura mais escorreita ao grande público.
Para mais informações deste tema consultar o site da Torre do Tombo assim como os trabalhos de José Viriato Capela sobre o tema.
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| O Manuscrito da Memória Paroquial de Guetim (Parte III) |
Para mais informações deste tema consultar o site da Torre do Tombo assim como os trabalhos de José Viriato Capela sobre o tema.



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