João Francisco da Silva Guetim é, sem sombra de dúvidas, um dos (senão o) guetinenses mais influentes da segunda metade do século XIX e primeiro quartel do século XX. Foi um benemérito de valor ímpar não se limitando a auxiliar a freguesia que o viu nascer mas também a estender a sua ação ao concelho de Espinho. Com uma fortuna gerada aquando da sua estadia no Brasil, João Guetim é o primeiro "Grande Guetinense" a ser por nós biografado. Por tudo aquilo que foi, merece que a memória das suas ações seja eternizada de forma a que todos compreendam a dimensão não só do homem mas, acima de tudo, do legado!
| Esta é uma das duas fotos conhecidas de João Francisco da Silva Guetim |
Nascimento e partida para o Brasil (1843 - 1860?)
Pouco sabemos dos primeiros anos de vida de João Francisco da Silva Guetim. Cremos que tenha nascido na zona da Igreja, no seio de uma família religiosa. Filho de Joaquim da Silva, conhecido como Joaquim “da Dionísia” (Martins, 1915, p.76) e de Maria Francisca do Couto, nasceu no dia 26 de Setembro de 1842 sendo batizado aos 28 do mesmo mês, na Igreja Paroquial de Guetim, pelo pároco Alexandre de Oliveira Fontes (Baptismos, Guetim, Arquivo Distrial de Aveiro).
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| D. Maria II era a monarca de Portugal aquando do nascimento de João Francisco da Silva. |
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| O Duque da Terceira era o Presidente do Conselho de Ministros de Portugal em 1842. Cargo equivalente ao de Primeiro Ministro na atualidade. |
Viveu os primeiros anos num Portugal profundamente rural e economicamente atrasado conforme atestava então Fontes Pereira de Melo descrevendo um “país de povoações que se não comunicam, de habitantes que não convivem, de produtos que não circulam, de manufacturas que se não transportam, e até de riquezas e maravilhas que não se conhecem” (Ramos cit. Melo, 2009, p.521).
Para a maior parte dos portugueses de então existiam apenas duas formas de conseguir um maior fulgor financeiro: a vida eclesiástica ou, em alternativa, a ida para o longínquo Brasil. A emigração para terras brasileiras tem como pano de fundo, o aumento da carestia de vida aliada à conjuntura estrutural de um país mergulhado numa crise financeira profunda (O. Martins, 1956, p. 216), esta reflectia, conforme atesta Villaverde Cabral, uma situação de ruína da exploração camponesa familiar (Cabral, 1979, p. 156). Como todos sabemos, a freguesia de Guetim era profundamente rural, vivendo a sua população maioritariamente daquilo que a terra oferecia e tendo de lidar com as diversas crises agrícolas do terceiro quartel do século XIX (Vaquinhas, 1993, p. 484). Estas crises contribuíram para a saída em massa a partir da década de 70 de emigrantes para o Brasil. A partida de João Francisco da Silva Guetim, contudo, é ainda anterior a esta primeira vaga! Após a década de 70 do século XIX portugueses e italianos são os principais povos a procurarem novas oportunidades em terras de Vera Cruz (Rocha-Trindade, 1986, p. 141).
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| Os Vapores eram o meio de transporte daqueles que procuravam uma vida melhor do outro lado do Atlântico. |
Em que ano partiu João Francisco da Silva para o Brasil? A data exata continua um mistério, contudo arriscamos avançar que a mesma terá ocorrido entre finais dos anos 50 do século XIX e inícios dos anos 60 do mesmo século. Baseamo-nos na notícia editada no jornal “Gazeta de Espinho” aquando da sua morte, em 1918, e que refere a
“partida em adolescente para o Brasil, em cujo país à custa do seu imenso trabalho, aliado à sua nobre correção de caráter, conseguiu amealhar uma abastada fortuna…” (Gazeta de Espinho, número 888, 17 de Março de 1918).
Podemos portanto concluir que tendo nascido em 1842 e partindo ainda adolescente para o Brasil, a sua ida só poderia ter acontecido entre 1857 e 1863. Este espectro cronológico torna João Guetim ainda mais especial, pois esteve entre os pioneiros de uma posterior vaga de emigração que, conforme anteriormente referimos, terá o seu início nos anos 70 do século XIX.
Como terá sido a vida de João Francisco da Silva no Rio de Janeiro? Como terá construído a sua imensa fortuna? Possuímos poucos dados acerca do tempo passado por este ilustre guetinense do outro lado do Atlântico, mas certamente, tudo o que soubermos será partilhado aqui na segunda parte da biografia de João Francisco da Silva Guetim na série "Grandes Guetinenses"
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| O Rio de Janeiro no século XIX |




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